Lona Preta

LONA PRETA

SINOPSE:

Na cidade de Lágrimas, um grupo sem-terra invade terras improdutivas ao lado de uma rica e poderosa fazenda.

Nesta rica fazenda reside a família Smith, oriunda do sul dos EUA. Géro, esclerosado com comportamento idiossincrático e Milla, esposa dedicada, são os patriarcas idosos da família. O irmão mais velho, Zeca, é ambicioso e faz experimentos com transgênicos; sua esposa Ana é de esquerda e tem passado duvidoso; e a irmã mais nova Maria da Graça é professora e assídua freqüentadora da igreja.

Os grupo sem-terra é representado na ação central pela figura de Joca, líder que a par e passo inicia o processo de ocupação. Ele reside numa pensão na frente da igreja. É levado a entrar em contato com a comunidade da cidade, principalmente com o padre, e por conseguinte com a família Smith, no processo de investigação das condições necessárias para a ocupação.

Relações de inquietude, fúria, amargura, amor e morte são estabelecidas na descartabilidade do homem como mercadoria.

APRESENTAÇÃO:

O roteiro do longa-metragem LONA PRETA surgiu da necessidade de contar uma história extremamente brasileira através de uma forma dramatúrgica épica, onde não há espaço para o drama e para subjetividade dos personagens.

O filme ocorre na cidade fictícia de Lágrimas. Nesta locação será narrada a história de um grupo sem-terra que invade uma fazenda improdutiva da região, ação que inicia conflito frente aos proprietários das fazendas e da sociedade local.

O projeto LONA PRETA foi desenvolvido para as telas de cinema de forma a mostrar uma história extremamente nacional, por meio de uma estrutura diferenciada de narrativa. Há elementos do teatro dialético, da filosofia de Benjamin e, principalmente, das artes plásticas e da cultura popular. A intenção é despertar um olhar crítico do atual panorama político brasileiro sem deixar de lado o prazer estético.

A exuberância das grandes fazendas dotadas de alta tecnologia em maquinária para irrigação e coleta das safras agrícolas e da qualidade de vida dos proprietários das fazendas locais, contrasta com as propriedades improdutivas comandadas por latifundiários.

De um lado, uma família patriarcal de raiz americana, que caracteriza todo um modo de vida e economia da ocupação anterior de terras pelos imigrantes e, conseqüentemente, representantes da ética de quem ascendeu da condição de explorado para a de explorador. Passam a ser proprietários dos meios de produção e exploradores da força de trabalho.

Do outro lado, um grupo de sem-terra sofre as conseqüências das terras tomadas pelos imigrantes estrangeiros e tentam acampar numa fazenda de terras improdutivas vizinha a da família americana.

A sociedade moderna, a esquerda, a direita, a filosofia, a cultura e a política perdem consistência e força num mundo mercantil, onde a impossibilidade impera para todos e se sobressai a força do capital, que só pensa em produzir lucro.

É trilhando esse caminho, entre a fome e o sonho, a política e a poesia, que o projeto busca enfrentar artisticamente os impasses e desafios do mundo globalizado.

Lona Preta é definitivamente um filme que busca suscitar o debate entre a poética do oprimido e o capitalismo financeiro. Trabalhar o particular e o universal da filosofia moderna em forma de estética. Estabelecer um diálogo entre realidade social e arte cinematográfica.


FICHA TÉCNICA:

Longa-metragem - Ficção

Direção: Francisco Garcia

Argumento: José Wagner Garcia

Roteiro: Gabriel Campos

Produção: Kinoosfera Filmes